em cartaz

No programa de Julho, casas de famílias, hotéis de luxo e tesouros marinhos.

Na primeira sessão do mês, um clássico como novo de Joseph Losey com argumento de Harold Pinter, sucesso de bilheteiras dos anos 60 reposto agora em sala numa magnífica cópia restaurada. Hugo, interpretado por Dirk Bogarde, é um criado que gradualmente manipula o seu patrão a resignar-se a uma posição de subserviência, num exercício alucinado de subversão das relações de poder tradicionais. Drama psicológico envolto num ambiente claustrofóbico, o filme é um ataque directo ao sistema de classes e à fragilidade da aristocracia inglesa.

Depois, estadia de luxo no México com a primeira longa metragem de Lila Avilés, um filme sobre desigualdades sociais que nos conta a história de Eve, camareira num dos mais luxuosos hotéis da cidade do México. A opulência que a circunda é tão grande que ela mal consegue imaginar as vidas de quem por ali passa. Apesar das dificuldades, a esperança de melhores dias nunca a abandona, sonha ser promovida para limpeza das suítes executivas.

Um salto ao Japão pela lente do grande Ozu e o seu primeiro filme colorido, exemplo de mestria e perfeição. Centrado no tema mais caro do realizador na fase final da sua obra – as relações familiares no Japão do pós-guerra – uma obra baseada num romance de Ton Satomi. Wataru Hirayama, um homem de negócios de Tóquio a quem os outros sempre recorreram para conselhos sentimentais ou familiares, vê-se confrontado com um conflito com a própria filha, Yukiko. O problema é que ele não aprova o homem com quem ela deseja casar-se e muito menos o facto de ter feito essa escolha sem o consultar.

Por fim, mergulhos no Pacífico com as Ama-san, guiados pelo olhar da Cláudia Varejão. Um filme documentário que acompanha Matsumi, Mayumi e Masumi, três mulheres ama de gerações distintas a viver numa pequena vila piscatória japonesa. Dedicam-se à recolha de abalones, algas, pérolas e outros tesouros marinhos. Esta prática ancestral leva mulheres de várias idades a mergulhar no mar em apneia, sempre sem ajuda de botijas de oxigénio, conseguindo manter-se com a respiração suspensa até dois a três minutos.