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No programa de Junho, olhares sobre a história entre sombras e luzes.

"Caros Camaradas!", o novo filme de Andrey Konchalovsky no arranque do programa do mês. Vencedor do Prémio Especial do Jurí do Festival de Veneza de 2020, um regresso à União Soviética de 1962. Lyudmila, membro do Partido Comunista, acredita cegamente trabalhar em prol de uma sociedade justa e igualitária. Mas tudo muda quando, durante uma greve na fábrica de construção de locomotivas em Novocherkassk, testemunha um grupo de trabalhadores a ser assassinado a tiro de metralhadora sob as ordens do governo.

Em dose dupla, "Ivan, O Terrível", o último filme de Eisenstein, uma das obras-primas absolutas de toda a história do cinema. Dividido em duas partes, o filme descreve o itinerário do czar, da sua pureza adolescente até à mais absoluta das tiranias. A profundidade de foco, o uso das sombras e das luzes, a fusão entre a música de Prokofiev e os diálogos, criam um filme de indescritível beleza, que também é uma reflexão política.

Em estreia, a primeira longa-metragem realizada pelo actor Wagner Moura, uma adaptação do livro "Marighella - O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo" de Mário Magalhães. O filme baseia-se nos últimos cinco anos da vida de Carlos Marighella, ex-deputado, poeta e guerrilheiro brasileiro, que durante a ditadura militar liderou um dos maiores movimentos de resistência armada contra a ditadura brasileira da época. O músico Seu Jorge interpreta "Marighella, O Guerreiro" numa obra que é um grito de revolta.

"Prazer, Camaradas!" junta histórias vividas em cooperativas e aldeias portuguesas no pós-25 de Abril de 1974, contadas por portugueses e estrangeiros que as viveram. Na trama, alguns dos actores são as pessoas que, em 1975, vieram ou regressaram a Portugal para participar na revolução. O novo filme de José Filipe Costa, é, como diz o realizador, a dramatização “das memórias de uma revolução que não foi apenas política, mas também sexual e de costumes”.